Pela primeira vez após derrota, Trump promete "transição ordenada", mas rejeita resultado das eleições


Minutos após a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais americanas de 3 de novembro pelo Congresso dos Estados Unidos, nesta quinta-feira (7), Donald Trump se pronunciou por meio de um comunicado. O presidente em fim de mandato admitiu, pela primeira vez, que seu governo está chegando ao fim, mas voltou a deixar claro que não concorda com o resultado da votação.


"Mesmo que eu discorde totalmente com o resultado das eleições, e os fatos me apoiam, haverá uma transição ordenada em 20 de janeiro", afirma Trump em comunicado. As afirmações diferem do discurso realizado na quarta-feira (6), no qual declarou que jamais cederia.


"Eu sempre disse que continuaríamos a lutar para garantir que apenas votos legais fossem contabilizados. Enquanto isso representa o fim de um dos melhores mandatos na história presidencial, é apenas o começo da nossa luta para tornar a América grande novamente", reiterou.


Trump se pronunciou por meio de comunicado porque está impossibilitado de usar o Twitter, sua plataforma preferida nas redes sociais. Desde a noite de quarta-feira (6), tanto o Twitter como o Facebook bloquearam o perfil do presidente por considerar que suas postagens, que incitaram os manifestantes ao caos em Washington, violaram as regras de utilização. 


No comunicado, Trump não afirma, no entanto, se participará da cerimônia de posse de Joe Biden e Kamala Harris em 20 de janeiro.


Ao menos quatro mortos


Ao menos quatro pessoas morreram durante a invasão do Capitólio na quarta-feira (6), entre essas, uma ex-militar que participou do ato pró-Trump em Washington, baleada pelas forças de segurança. 


A intrusão ocorreu depois que o presidente em fim de mandato discursou durante um protesto na capital americana, realizado por seus apoiadores, que não aceitam os resultados das eleições de 3 de novembro. Durante o ato, Trump discursou, denunciou mais uma vez fraude na votação e pediu para que os militantes se dirigissem ao Capitólio para interromper a sessão em que o Senado certificava a vitória de Biden.


Uma multidão de partidários de Trump invadiu o local durante várias horas, entrando em confronto com as forças de segurança e obrigando os congressistas a serem confinados. A prefeita da capital americana, Muriel Elizabeth Bowser, determinou um toque de recolher na cidade das 18h de quarta-feira às 6h desta quinta-feira, pelo horário local. Sessão retomada durante a noite

Depois que o incidente foi controlado no Capitólio, durante a noite de quarta-feira, o Senado americano retomou o processo de ratificação da vitória de Biden. Na reabertura da sessão, o vice-presidente Mike Pence lamentou "um dia obscuro" e condenou as violências.


"Mesmo depois da violência e vandalismo sem precedentes neste Capitólio, os representantes eleitos do povo dos Estados Unidos se reúnem novamente neste mesmo dia para defender a Constituição", destacou Pence.


As objeções à vitória Biden nos estados do Arizona e da Pensilvânia foram rejeitadas pelas duas câmaras do Congresso na manhã desta quinta-feira, superando o que poderia ser o último obstáculo para a ratificação dos resultados da eleição de 3 de novembro.


Logo depois, o vice-presidente certificou o voto dos 306 grandes eleitores em favor de Biden contra 232 para Donald Trump.


Gabinete discute destituição de Trump


Segundo a imprensa americana, membros do gabinete de Trump estariam discutindo a possibilidade de destituí-lo. As discussões se concentram na 25ª emenda à Constituição dos Estados Unidos, que permite a destituição de um chefe de Estado se ele for considerado "incapaz de cumprir os poderes e deveres de seu cargo".


O canal de TV CNN informou que líderes republicanos, cujos nomes não foram revelados, disseram que a possibilidade de invocar a emenda está sendo analisada. Eles teriam alegado que Trump está "fora de controle".


Duas conselheiras da primeira-dama americana, Melania Trump, pediram demissão na quarta-feira após a invasão do Capitólio. Stephanie Grisham anunciou que deixou o cargo de chefe de gabinete de Melania em um comunicado, mas sem citar as violências em Washington. Uma fonte revelou que ela teria dito que os incidentes de ontem foram "a gota d'água".


Rickie Niceta e Sarah Matthews, membros da equipe de comunicação da Casa Branca também se demitiram, afirmaram fontes à agência Reuters. Vários outros altos representantes da Casa Branca consideram a possibilidade de deixar seus cargos, entre eles, o conselheiro da Segurança Nacional, Robert O'Brien e seu adjunto, Matthew Pottinger.


(Com informações das agências AFP e Reuters)