Pandemia: 40% dos franceses não voltaram a frequentar espaços culturais mesmo com reabertura

O presidente francês Emmanuel Macron e a ministra da Cultura da França, Roselyne Bachelot, visitam a exposição 'Coleção Morozov, Ícones da Arte Moderna' na Fundação Louis Vuitton em Paris, França, 21 de setembro de 2021. REUTERS - POOL

Texto por: RFI
Quase 40% dos franceses não voltaram a frequentar locais de cultura durante a reabertura no verão do Hemisfério Norte, de acordo com uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Cultura da França para avaliar o impacto da crise sanitária nos programas e estruturas culturais.


Os resultados do relatório, realizado pelo instituto Harris Interactive e publicado nesta quarta-feira (27), demonstram uma tendência que confirma a grande crise no setor cultural francês. A pesquisa foi realizada entre 31 de agosto e 3 de setembro de 2021, antes mesmo da reabertura cultural.


"Foi em um momento em que a quarta onda da Covid-19 ainda estava muito presente na mente das pessoas e, portanto, no comportamento; não sabíamos se o início do ano letivo ocorreria em condições normais", disse Arnaud Roffignon, vice-diretor do instituto.


Entre os 88% dos franceses que foram a um local cultural em um ano "normal" [sem pandemia], 61% disseram ter retornado pelo menos uma vez a estruturas culturais desde a introdução do passaporte sanitário em 21 de julho, e 39% nunca mais voltaram a frequentar programas culturais.


Em detalhes, apenas 25% dos franceses assistiram a uma apresentação ao vivo (música, teatro, dança ou circo), 31% visitaram uma exposição ou museu, e apenas 41% deles retornaram aos cinemas.


Nos próximos meses, 30% dos entrevistados afirmaram que sua frequência em locais culturais provavelmente seria menor do que antes da pandemia, de acordo com a pesquisa realizada numa amostra de 3.025 franceses com 18 anos ou mais.


Medo de pegar ou transmitir covid

Outros impactos da crise sanitária na Cultura na França: 54% dos entrevistados disseram que ainda temem lugares movimentados pelo risco de pegar ou transmitir Covid, enquanto 46% se acostumaram a usar os meios digitais para acessar conteúdos culturais (filmes, exposições, shows etc.).


Quanto ao passaporte sanitário, 25% dos entrevistados indicaram que este seria um potencial obstáculo para um retorno às atividades culturais. Um segundo estudo será realizado em dezembro.


Roffignon indicou que atualmente, "estamos a par de uma certa atitude com tendência a esperar para ver, sem que isso se configure como uma tendência geral".


O diretor da Ópera de Paris, Alexander Neef, disse recentemente ao site do Forum Opera que as assinaturas de fidelização desta prestigiosa instituição caíram 45%.


A ministra da Cultura da França, Roselyne Bachelot, havia evocado há uma semana uma situação "contrastada ou indiferente", ao "afirmar que uma recuperação "começou".

(Com informações da AFP)

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